Resposta Rápida
Quinina 300 contém sulfato de quinina 300 mg (East African Pharmaceuticals (ou genérico 300 mg)). É um tratamento oral de segunda linha para malária não complicada por P. falciparum resistente à cloroquina — historicamente combinado com doxiciclina, tetraciclina ou clindamicina para encurtar o tratamento e reduzir a recrudescência. A orientação moderna da OMS prefere terapia combinada com artemisinina (ACT) onde disponível; a quinina permanece em uso selecionado onde os ACTs não estão disponíveis, são contraindicados ou falharam. Dose padrão de tratamento: 650 mg a cada 8 horas por 3–7 dias com doxiciclina 100 mg duas vezes ao dia por 7 dias. O conjunto de efeitos colaterais (“cinconismo” — zumbido, dor de cabeça, náusea, tontura, visão turva) é comum e limitante da dose. NÃO para cãibras nas pernas inquietas (aviso de caixa preta da FDA desde 2010 para esse uso off-label). NÃO use sem supervisão médica.
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Sobre o Quinin 300
Quinin 300 é um comprimido de sulfato de quinina 300 mg fabricado pela East African Pharmaceuticals (ou genérico 300 mg) sob condições certificadas pela WHO-GMP. A quinina é o antimalárico original — extraído da casca da árvore de cinchona sul-americana por missionários jesuítas no século XVII, isolado em forma pura por Pelletier e Caventou em 1820, e o tratamento padrão para malária pelos próximos 100 anos antes da cloroquina. Permanece na lista de Medicamentos Essenciais da WHO para tratamento de segunda linha de P. falciparum e como terapia intravenosa para malária grave onde o artesunato IV não está disponível.
Como a quinina funciona
A quinina é um alcaloide da cinchona que interfere na desintoxicação do heme do parasita no vacúolo alimentar — o mesmo mecanismo da cloroquina e da mefloquina. É ativa contra o estágio sanguíneo de P. falciparum (incluindo a maioria das cepas resistentes à cloroquina), P. vivax, P. ovale e P. malariae. NÃO elimina hipnozoítos dormentes — a primaquina é necessária para a cura radical de vivax/ovale.
A quinina tem uma meia-vida curta (~ 11 horas) — doses três vezes ao dia são necessárias durante os cursos de tratamento. Possui uma janela terapêutica estreita: a eficácia está relacionada à dose, mas a toxicidade também (cinconismo, hipoglicemia, prolongamento do QT, rara cardiotoxicidade).
Indicações e dosagem
| Indicação | Dose | Observações |
|---|---|---|
| Malária por P. falciparum resistente à cloroquina não complicada, adulto | 650 mg VO a cada 8 h por 3 dias (África) ou 7 dias (Sudeste Asiático) | Combine com doxiciclina 100 mg BID por 7 dias, ou clindamicina 20 mg/kg/dia na gravidez. |
| Malária grave, hospitalar IV (onde o artesunato IV não estiver disponível) | 20 mg/kg de dose inicial ao longo de 4 h → 10 mg/kg a cada 8 h IV | Monitoramento cardíaco + monitoramento de glicose obrigatórios. Mudar para via oral 650 mg a cada 8 horas, uma vez tolerado. |
| Babesiose (B. microti / B. divergens) — segunda linha | 650 mg a cada 6–8 horas com clindamicina ou atovaquona-azitromicina | Contexto especializado em doenças transmitidas por carrapatos. |
| Malária não complicada por P. falciparum em pediatria (≥ 6 kg) | 8,3 mg/kg a cada 8 horas por 3–7 dias | Com doxiciclina apropriada ao peso (≥ 8 anos) ou clindamicina (qualquer idade). |
Efeitos colaterais
- Comum (cinconismo, ≥ 30%): zumbido, cefaleia, náusea, tontura, visão turva, perda auditiva leve em altas frequências — geralmente reversível após a interrupção.
- GI: dor abdominal, vômito, diarreia.
- Cardiovasculares: prolongamento do QTc, hipotensão (especialmente com bolus IV rápido — nunca administrar quinina IV em bolus), palpitações.
- Endócrino: hipoglicemia (pode ser grave, especialmente na gravidez ou no uso IV).
- Hematológico: trombocitopenia, anemia hemolítica (em pacientes com deficiência de G6PD), síndrome hemolítico-urêmica (rara, mas grave — pode ser fatal).
- Hipersensibilidade: erupção cutânea, urticária, angioedema, anafilaxia, lúpus induzido por drogas.
- Neurológico: convulsões raras, neurite óptica, perda auditiva súbita.
Interações medicamentosas
| Interação | Efeito | Gerenciamento |
|---|---|---|
| Mefloquina / cloroquina / hidroxicloroquina | Cardiotoxicidade aditiva + redução do limiar convulsivo | Evitar combinação — usar apenas um antimalárico. |
| Halofantrina | Prolongamento grave aditivo do QTc | Contraindicação absoluta. |
| Digoxina | A quinina aumenta os níveis de digoxina em 2 a 3 vezes | Reduza a dose de digoxina pela metade; monitore os níveis de digoxina cuidadosamente. |
| Varfarina | A quinina potencializa o efeito anticoagulante | Aumente a frequência de monitoramento do INR. |
| Fármacos que prolongam o QT (azitromicina, ondansetrona, fluoroquinolonas, antipsicóticos, metadona) | Prolongamento aditivo do intervalo QTc | Evite a combinação, especialmente em pacientes com distúrbios eletrolíticos. |
| Inibidores potentes do CYP3A4 (cetoconazol, ritonavir, claritromicina) | Aumento do nível de quinina → cinconismo / cardiotoxicidade | Redução da dose; evite a combinação quando possível. |
| Indutores potentes do CYP3A4 (rifampicina, fenitoína, carbamazepina, erva-de-são-joão) | Nível baixo de quinina → falha no tratamento | Evitar combinação; escolher antimalárico alternativo. |
| Insulina / sulfonilureias | Hipoglicemia aditiva | Monitorar a glicemia de perto. |
Contraindicações e precauções
- Absolutos: hipersensibilidade à quinina, quinidina ou alcaloides relacionados da cinchona; neurite óptica pré-existente; zumbido; deficiência de G6PD (hemólise); miastenia gravis (piora o bloqueio neuromuscular); distúrbio grave de condução cardíaca (bloqueio AV de alto grau, bradicardia grave, QTc prolongado); uso concomitante de halofantrina; púrpura trombocitopênica associada a quinina prévia.
- Cuidado intensivo: insuficiência renal ou hepática, fibrilação atrial com defeitos de condução, pacientes propensos a hipoglicemia (diabéticos tratados com insulina/sulfonilureias, malária grave), gravidez (risco de hipoglicemia).
- Gravidez: compatível (com parceiro clindamicina). O risco de hipoglicemia é amplificado — monitoramento rigoroso da glicose necessário.
- Amamentação: compatível — pequenas quantidades no leite materno insuficientes para profilaxia ou dano ao bebê.
Armazenamento
Armazenar abaixo de 25 °C em local seco, na embalagem original. Manter fora do alcance de crianças.
Perguntas Frequentes
A Quinina 300 é de primeira linha para malária?
Não. As diretrizes modernas da OMS recomendam a terapia de combinação com artemisinina (artemeter-lumefantrina, diidroartemisinina-piperaquina, artesunato-amodiaquina) como primeira linha para malária por P. falciparum não complicada. A quinina é uma opção de segunda linha quando as ACTs não estão disponíveis, são contraindicadas ou falharam.
Por que combinar quinina com doxiciclina ou clindamicina?
A quinina sozinha tem uma taxa lenta de eliminação de parasitas e recrudescência significativa (recidiva de parasitas remanescentes) quando usada como monoterapia em cepas resistentes modernas. Adicionar um medicamento parceiro (doxiciclina, tetraciclina ou clindamicina na gravidez) encurta o curso efetivo do tratamento, reduz a recrudescência e melhora os resultados.
O que é cinchonismo e é perigoso?
Cinchonismo é o conjunto de zumbido, dor de cabeça, náusea, tontura e perda auditiva leve em altas frequências observado em doses terapêuticas de quinina. É desconfortável, mas geralmente reversível após a interrupção. Cinchonismo grave (surdez, vertigem, náusea intensa, alteração mental) requer revisão da dose ou troca de antimalárico.
O Quinin 300 pode ser usado na gravidez?
Sim — a quinina combinada com clindamicina (não a doxiciclina, que é contraindicada na gravidez) é uma opção reconhecida para o tratamento da malária por P. falciparum na gravidez, especialmente no primeiro trimestre, onde os dados de segurança dos ACT são limitados. O risco de hipoglicemia é amplificado — é necessário um monitoramento mais rigoroso da glicemia.
Posso usar o Quinin 300 para cãibras noturnas nas pernas?
Não. A FDA emitiu um alerta de caixa preta em 2010 contra o uso de quinina para cãibras noturnas nas pernas ou síndrome das pernas inquietas — arritmias fatais, trombocitopenia grave e síndrome hemolítico-urêmica foram relatadas. A relação risco-benefício é inaceitável para uso não malárico.
A quinina está relacionada à quinidina?
Sim — elas são estereoisômeros (moléculas em imagem espelhada) uma da outra, ambas extraídas da casca da cinchona. A quinidina tem efeitos antiarrítmicos classe Ia mais potentes e não é mais usada como antimalárico. A quinina mantém algum efeito antiarrítmico — o que explica o prolongamento do QT e o sinal cardíaco.
O que devo fazer se tiver zumbido ou perda auditiva?
Zumbido leve é comum e sinaliza níveis plasmáticos terapêuticos — continue na dose prescrita. Zumbido grave, vertigem ou perda auditiva → procure avaliação médica. A perda auditiva súbita e grave pode ser permanente; não “espere passar”.
Por que é necessário monitorar a glicose?
A quinina estimula a liberação de insulina pelas células beta pancreáticas. A hipoglicemia grave é mais perigosa na gravidez, no uso IV e em pacientes com sepse ou malária grave. Confusão súbita, sudorese, taquicardia ou coma em um paciente em uso de quinina → verifique a glicose imediatamente e administre dextrose IV se estiver baixa.
Posso beber álcool enquanto tomo Quinin 300?
Evite álcool durante o tratamento — ele amplifica os efeitos no SNC (tontura, dor de cabeça) e adiciona estresse hepático. Retome após o término do tratamento.
E a quinina na água tônica?
A água tônica contém uma pequena quantidade de quinina (limite da FDA ~ 83 mg/L) — muito abaixo das doses terapêuticas. Uma porção de 250 mL tem ~ 20 mg de quinina, vs os 650 mg por dose no tratamento da malária. A água tônica não tem efeito antimalárico ou prejudicial clinicamente significativo.
E se eu perder uma dose?
Tome a dose esquecida assim que lembrar. Não duplique a dose. A meia-vida de 11 horas significa que uma dose esquecida a cada 8 horas tem um efeito mensurável no nível plasmático mínimo — o horário rigoroso a cada 8 horas é importante durante o tratamento ativo.
Outros Comprimidos para Malária
- Cendox 100 mg — Doxiciclina — medicamento parceiro padrão para quinina em P. falciparum resistente à cloroquina
- Mefque 250 mg — Mefloquina — opção de profilaxia semanal para áreas resistentes
- Lariago 250 mg — Cloroquina — apenas para áreas sensíveis à cloroquina
- Primaquina 15 mg — Cura radical para malária recorrente vivax/ovale — teste de G6PD necessário
- HCQS 200/400 mg — Hidroxicloroquina — antimalárico + indicações para doenças autoimunes



























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