⚡ Resposta rápida — O que é o Ondrea?
Ondrea é uma cápsula oral da Cipla que contém hidroxiureia (hidroxicarbamida) 500 mg — um inibidor da ribonucleótido redutase utilizado para leucemia mieloide crónica, policitemia vera, trombocitemia essencial, doença falciforme, e vários tumores sólidos (cabeça e pescoço, melanoma). A dosagem padrão para adultos varia consoante a indicação: tipicamente 15–30 mg/kg/dia em hematologia; 20–35 mg/kg/dia na doença falciforme. Monitorização obrigatória: hemograma completo a cada 2 semanas inicialmente, depois mensalmente — ajustar para ANC > 2.000/µL e plaquetas > 100.000/µL. Contraindicação na gravidez; contraceção fiável em ambos os sexos durante o tratamento. Preocupação a longo prazo: úlceras nas pernas (crónicas, dolorosas), cancros de pele de células escamosas, possível leucemia secundária (controverso, principalmente em policitemia vera a longo prazo).
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O que é o Ondrea?
O Ondrea é uma cápsula oral da Cipla que contém hidroxiureia 500 mg (também chamada hidroxicarbamida). A hidroxiureia inibe a ribonucleótido redutase, bloqueando a síntese de ADN. É um dos agentes citoredutores mais amplamente utilizados e mais antigos, com um registo de segurança clínica de 60 anos em neoplasias hematológicas, doença falciforme e vários tumores sólidos.
Usos e Indicações
- Leucemia mieloide crónica — citorredução no diagnóstico ou como alternativa quando os ITKs (imatinibe, etc.) não podem ser utilizados
- Policitemia vera — citorredução de primeira linha em doença de alto risco
- Trombocitemia essencial — citorredução de primeira linha em doença de alto risco
- Mielofibrose (fase inicial) — controlo de sintomas e contagens
- Doença falciforme — reduz a frequência de crises vaso-oclusivas e síndrome torácica aguda; aumenta a HbF
- Leucemia aguda — leucocitose de emergência redução (citorredução rápida antes da terapia definitiva)
- Carcinoma espinocelular da cabeça e pescoço — com radioterapia concomitante (regimes mais antigos)
- Melanoma, cancro do ovário (uso moderno limitado)
Posologia e Como Tomar
A dose varia consoante a indicação. Exemplos para adultos:
- Redução citológica em LMC, TE, PV: iniciar com 15 mg/kg/dia; titular para 15–30 mg/kg/dia com base nas contagens
- Doença falciforme: iniciar com 15 mg/kg/dia; aumentar 5 mg/kg/dia a cada 8 semanas até um máximo de 35 mg/kg/dia ou dose máxima tolerada
- Redução citológica de emergência em leucemia aguda: 50–100 mg/kg/dia durante 1–2 dias (especialista)
- Tomar uma ou duas vezes por dia conforme prescrito, com ou sem alimentos.
- Engula as cápsulas inteiras. NÃO abrir as cápsulas — o pó é citotóxico e nocivo por contacto. Se uma cápsula não puder ser engolida, o conteúdo pode ser disperso em água, com o cuidador a usar luvas e a evitar o contacto com a pele/olhos.
- Monitorização obrigatória: Hemograma completo a cada 2 semanas inicialmente (ou semanalmente durante a titulação em anemia falciforme), depois mensalmente. Ureia e eletrólitos + testes de função hepática a cada 1–3 meses. Contagem de reticulócitos, HbF (anemia falciforme). O VCM aumenta com a hidroxiureia (um marcador útil de adesão).
- Ajustes de dose com base nas contagens: suspender para ANC < 2.000/µL, plaquetas < 80.000/µL ou Hb < 4,5 g/dL. Retomar com dose mais baixa após recuperação.
- Ácido fólico 5 mg diário frequentemente co-prescrito (especialmente em hemoglobinopatia).
- Beber muitos líquidos para reduzir o risco de hiperuricemia e síndrome de lise tumoral.
Efeitos Secundários
Comuns: mielossupressão (o efeito desejado em dose terapêutica), náuseas, anorexia, mucosite, diarreia ligeira, hiperpigmentação da pele, pigmentação das unhas, afinamento do cabelo.
Importante:
- Úlceras nas pernas — crónicas, dolorosas, de cicatrização lenta; afetam ~5% dos utilizadores a longo prazo; podem exigir redução da dose ou descontinuação
- Carcinomas de células escamosas da pele — utilizadores a longo prazo, especialmente de pele clara; revisão dermatológica anual e uso rigoroso de protetor solar
- Macrocitose (VCM elevado) — esperado, marcador de adesão, não é um problema
- Fibrose pulmonar (rara)
- Hiperuricemia, gota
- Possível leucemia secundária em policitemia vera a longo prazo (controverso)
Avisos
- Gravidez: teratogénico. Contraceção forte durante todo o tratamento E durante 6 meses após a última dose, em pacientes de ambos os sexos.
- Aleitamento materno: excretado no leite materno — evitar.
- Insuficiência renal: reduzir dose para TFGe < 60 mL/min.
- Insuficiência hepática grave: cuidado.
- Rastreio de cancro de pele: revisão dermatológica anual para utilizadores a longo prazo; FPS diário rigoroso.
- Vacinas: vacinas vivas contraindicadas; vacinas inativadas seguras e recomendadas.
- Coinfecção por VIH: a combinação de hidroxiureia + didanosina causou pancreatite fatal — evitar.
Interações medicamentosas
| Combine com | Efeito | O que fazer |
|---|---|---|
| Didanosina (antirretroviral para VIH) | Pancreatite fatal relatada | Evitar absolutamente a combinação. |
| Outros fármacos mielossupressores (quimioterapia, imunossupressores) | Supressão medular aditiva | Supervisão especializada; monitorização rigorosa do hemograma. |
| Vacinas vivas | Risco de infeção disseminada | Contraindicado. |
| Alopurinol ou febuxostato | Útil para hiperuricemia / gota resultante da renovação celular | Frequentemente co-prescrito. |
Armazenamento
- Temperatura ambiente, 15–30°C, blíster original.
- Manter fora do alcance de crianças, mulheres em idade fértil, animais de estimação.
- Os cuidadores que manusearem cápsulas partidas devem usar luvas — o pó é citotóxico.
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Perguntas Frequentes
Como é que o Ondrea ajuda na anemia falciforme?
A hidroxiureia é o medicamento modificador da doença mais importante para a doença das células falciformes. Aumenta os níveis de hemoglobina fetal (HbF), o que impede as células vermelhas de se tornarem falciformes. Efeitos: ~50% de redução em crises vaso-oclusivas, menos hospitalizações, menos síndrome torácica aguda, menor necessidade de transfusões sanguíneas, melhor sobrevivência.. A maioria dos pacientes vê benefícios clínicos após 8–12 semanas de titulação da dose; benefício total aos 6–12 meses. Subutilizado em todo o mundo, apesar de uma forte base de evidências — fale com o seu hematologista se tiver doença das células falciformes e não lhe foi oferecida hidroxiureia.
Que análises ao sangue preciso de fazer com o Ondrea?
Obrigatório: Hemograma completo a cada 2 semanas inicialmente (semanalmente durante a titulação na doença das células falciformes), depois mensalmente quando estabilizado. Ureia e eletrólitos + testes de função hepática a cada 1–3 meses. Pacientes com doença das células falciformes também: medição de HbF, contagem de reticulócitos. Suspender ou reduzir a dose para ANC < 2.000/µL, plaquetas < 80.000/µL ou Hb < 4,5 g/dL.
Por que é que o Ondrea está associado a úlceras nas pernas?
Úlceras crónicas e dolorosas nas pernas afetam ~5% dos utilizadores de hidroxiureia a longo prazo, principalmente à volta do maléolo (tornozelo). O mecanismo não é claro (provavelmente microvascular). Estas úlceras demoram a cicatrizar e podem exigir redução da dose ou interrupção da hidroxiureia. Informe o seu médico imediatamente se desenvolver uma úlcera na perna durante o tratamento com hidroxiureia — não atrase.
O Ondrea pode causar cancro?
O uso prolongado de hidroxiureia aumenta ligeiramente o risco de cancros de pele de células escamosas, especialmente em pacientes de pele clara. Recomenda-se uma revisão dermatológica anual de toda a pele, uso diário de protetor solar de amplo espectro e evitar a exposição solar. A preocupação histórica sobre leucemia secundária na policitemia vera em tratamentos prolongados com hidroxiureia é debatida — dados modernos de grande escala sugerem que o risco é baixo e que a própria PV tem um risco inerente de transformação leucémica.
Posso engravidar a tomar Ondrea?
A hidroxiureia é teratogénica. É obrigatório o uso de contraceção fiável durante todo o tratamento E pelo menos 6 meses após a última dose, tanto em pacientes do sexo masculino como feminino. Discuta o planeamento familiar com o seu hematologista antes de iniciar o tratamento. Na anemia falciforme, a hidroxiureia é por vezes suspensa durante uma gravidez planeada, com monitorização rigorosa.
Por que é que o meu VCM aumenta com o Ondrea?
A macrocitose (aumento do VCM) é um efeito esperado e útil — indica que está a tomar o medicamento de forma consistente. Os médicos utilizam o VCM como marcador de adesão ao tratamento na anemia falciforme. Este aumento é benigno e não está associado a qualquer problema clínico.
Posso abrir uma cápsula se não a conseguir engolir?
Deve ser evitado — o pó é citotóxico e prejudicial em contacto com a pele, olhos e sistema respiratório. Se for essencial, o cuidador deve usar luvas, trabalhar numa área ventilada e dispersar o conteúdo numa pequena quantidade de água para o paciente beber imediatamente. Lave as mãos e as superfícies depois. O farmacêutico especialista pode preparar uma suspensão líquida como alternativa.
Posso tomar Ondrea com antirretrovirais para o VIH?
A maioria dos TAR é compatível. A combinação perigosa é hidroxiureia + didanosina, que causou pancreatite fatal. Informe todos os prescritores sobre ambos os medicamentos e garanta que não há didanosina no seu regime.
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