Resposta Rápida
Tegrital comprimidos mastigáveis 100 mg contêm carbamazepina, um anticonvulsivante bloqueador dos canais de sódio que tem sido a primeira linha para neuralgia do trigémeo desde 1962 e continua a ser um dos principais antiepiléticos para crises parciais e estabilização do humor no transtorno bipolar. A formulação mastigável é adequada para crianças, pacientes com dificuldade em engolir e adultos que preferem não engolir comprimidos inteiros. O tratamento começa com doses baixas (100 mg uma ou duas vezes por dia) e aumenta lentamente porque a carbamazepina induz o seu próprio metabolismo ao longo de 2 a 4 semanas. Os pacientes de ascendência asiática devem ser testados para o HLA-B*1502 antes de iniciar — este alelo identifica um alto risco de síndrome de Stevens-Johnson.
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O que é o Tegrital?
O Tegrital é um genérico fabricado na Índia da carbamazepina, disponível como comprimido mastigável de 100 mg. A carbamazepina é um composto tricíclico estruturalmente relacionado com a imipramina, mas farmacologicamente classificado como antiepilético. A formulação mastigável pode ser mastigada, partida ou engolida inteira com água — conveniente para crianças e pacientes com disfagia.
Como funciona a Carbamazepina
A carbamazepina liga-se aos canais de sódio dependentes de voltagem no seu estado inativado, impedindo que o canal retorne ao seu estado de repouso e, assim, bloqueando a descarga neuronal repetitiva de alta frequência, enquanto poupa a sinalização fisiológica normal. Este mecanismo explica a sua eficácia em:
- Crises focais (parciais) — supressão sustentada da descarga epileptogénica
- Neuralgia do trigémeo — bloqueia as descargas nervosas paroxísticas no gânglio trigeminal
- Estabilização do humor — reduz a excitabilidade neuronal e a hiperatividade límbica
Indicações
- Neuralgia do trigémeo — primeira linha de acordo com as diretrizes NICE, EFNS e AAN
- Crises de início parcial com ou sem generalização secundária
- Crises tónico-clónicas generalizadas — segunda linha
- Perturbação bipolar — estabilizador do humor, particularmente em apresentações mistas e de ciclagem rápida
- Neuralgia do glossofaríngeo — uso análogo à neuralgia do trigémeo
- Neuropatia diabética — opção de segunda linha quando os gabapentinoides falham ou estão contraindicados
- Abstinência alcoólica — casos selecionados sob supervisão especializada
Dose & Administração
| Indicação | Início | Titulação | Manutenção |
|---|---|---|---|
| Neuralgia do trigémeo | 100 mg uma ou duas vezes por dia | +100–200 mg a cada 2 dias | 200–400 mg três vezes por dia |
| Crises parciais (adulto) | 100–200 mg uma ou duas vezes por dia | +100–200 mg por semana | 800–1200 mg/dia em 2–4 doses |
| Perturbação bipolar | 200 mg duas vezes por dia | +200 mg a cada 3–4 dias | 400–1600 mg/dia |
| Crianças (epilepsia) | 10–20 mg/kg/dia | Orientação especializada | 15–30 mg/kg/dia em doses divididas |
| Idosos | 100 mg duas vezes por dia | Titulação cuidadosa | Limite inferior da faixa típica para adultos |
Efeitos Secundários Comuns
- Sono, ataxia (especialmente durante a titulação)
- Tonturas, visão turva ou dupla
- Náuseas, vómitos
- Dor de cabeça
- Erupção cutânea ligeira (≈5–10% dos doentes)
- Boca seca, retenção ligeira de líquidos
- Hiponatremia (leve, especialmente em idosos)
Efeitos Secundários Graves — Pare e Procure Ajuda Médica
- Erupção cutânea grave, bolhas, úlceras na boca — possível síndrome de Stevens-Johnson / TEN
- Anemia aplástica, agranulocitose — monitorização do hemograma completo durante os primeiros meses
- Hiponatremia <125 mmol/L — confusão, convulsões
- Hepatite — icterícia, urina escura, dor abdominal
- Síndrome DRESS — febre, linfadenopatia, eosinofilia, envolvimento multiorgânico
- Bloqueio cardíaco (raro)
- Ideação suicida (aviso da classe de antiepiléticos)
Contra-indicações
- Hipersensibilidade conhecida à carbamazepina, oxcarbazepina ou antidepressivos tricíclicos
- Bloqueio auriculoventricular (especialmente de segundo ou terceiro grau)
- Histórico de depressão da medula óssea ou porfiria aguda intermitente
- Uso de inibidores da MAO nos últimos 14 dias
- HLA-B*1502 positivo (parente — agente alternativo preferido)
Interações medicamentosas
A carbamazepina é um potente indutor do CYP3A4 e de muitas outras enzimas CYP. Acelera o metabolismo (e, portanto, reduz o nível plasmático e o efeito clínico) de:
- Contraceptivos orais combinados — contraceção alternativa é essencial
- Varfarina e anticoagulantes orais diretos
- Muitos outros antiepiléticos (lamotrigina, valproato, fenitoína)
- Antirretrovirais, imunossupressores, bloqueadores dos canais de cálcio
- Estatinas (especialmente sinvastatina), corticosteroides
E o seu próprio nível é aumentado perigosamente por:
- Antibióticos macrólidos (eritromicina, claritromicina)
- Diltiazem, verapamil, isoniazida, fluconazol, cetoconazol
- Sumo de toranja
Armazenamento
Armazenar abaixo de 25 °C em local seco. Proteger da humidade (os comprimidos de carbamazepina podem degradar-se em condições húmidas). Manter na embalagem original em blister. Manter fora do alcance das crianças.
Perguntas Frequentes
O Tegrital é o mesmo que o Tegretol?
Sim — ambos são nomes comerciais da carbamazepina. O Tegrital é a versão genérica indiana; o Tegretol é a marca original da Novartis. O mecanismo, a dosagem e o efeito são idênticos para a mesma dose.
Quão rápido atua a carbamazepina na neuralgia do trigémeo?
A maioria dos pacientes experiencia um alívio significativo da dor nas primeiras 24–72 horas após atingir a dose eficaz. O desafio é atingir essa dose — é necessária uma titulação lenta para limitar tonturas e ataxia. Cerca de 70% dos pacientes com neuralgia do trigémeo respondem a doses de carbamazepina de 200–800 mg/dia.
Por que é que a dose precisa de aumentar ao longo do tempo?
A carbamazepina induz o seu próprio metabolismo hepático — autoindução. Nas primeiras 2–4 semanas, o fígado produz mais enzima CYP3A4, acelerando a depuração do fármaco. As necessidades diárias geralmente aumentam 30–60% antes de estabilizarem.
O que é o teste HLA-B*1502 e preciso de o fazer?
O HLA-B*1502 é um marcador genético fortemente associado à síndrome de Stevens-Johnson com a carbamazepina. A FDA recomenda o teste pré-tratamento para pacientes de ascendência chinesa Han, tailandesa, malaia, sul-indiana, filipina, indonésia e vietnamita. Se positivo, deve ser utilizado um anticonvulsivante alternativo.
A carbamazepina pode ser usada na gravidez?
A carbamazepina está associada a defeitos do tubo neural (risco de 1% vs. 0,06% de base) e outras malformações. Geralmente é evitada na gravidez quando existem alternativas. Se for mantida, recomenda-se ácido fólico em alta dose (5 mg diários) antes da conceção e durante o primeiro trimestre.
O Tegrital interage com a pílula contracetiva?
Sim — fortemente. A carbamazepina reduz os níveis de estrogénio e progestogénio através da indução do CYP3A4, levando à falha contracetiva. Utilize um DIU de cobre, DIU de levonorgestrel ou injeção de progestogénio apenas durante o tratamento.
Quanto tempo até poder deixar de tomar carbamazepina?
Na neuralgia do trigémio, muitos pacientes experimentam a redução da dose a cada 6–12 meses, uma vez que a dor esteja controlada. Na epilepsia, a retirada é considerada apenas após 2–3 anos sem crises. Reduza gradualmente — a paragem abrupta pode precipitar crises, mesmo em pacientes sem epilepsia.
Que análises ao sangue são necessárias?
Hemograma completo inicial, função hepática, ureia e eletrólitos, e teste de gravidez, quando relevante. Repetir hemograma completo e testes de função hepática às 4 semanas, 3 meses, e depois a cada 6–12 meses. Nível plasmático de carbamazepina 5–7 dias após cada alteração de dose.
Posso beber álcool com Tegrital?
Evite ou limite estritamente o álcool. Tanto a carbamazepina como o álcool deprimem o sistema nervoso central; combiná-los aumenta a sedação, o risco de quedas e eleva a variabilidade do limiar de crises.
Por que o Tegrital é mastigável?
O formato mastigável torna o comprimido fácil de tomar para crianças, idosos e qualquer pessoa com dificuldade em engolir. A biodisponibilidade é comparável à dos comprimidos padrão.
O Tegrital é eficaz para fibromialgia?
A carbamazepina não é a primeira linha para fibromialgia — a pregabalina, a duloxetina e a amitriptilina são. A carbamazepina tem um papel definido na neuralgia do trigémio e nas crises parciais; para a dor nervosa geral, é uma opção de linha posterior.
Para pacientes com neuralgia do trigémio que não respondem ou toleram carbamazepina, Gabasign (gabapentina 100/300/400/600/800 mg) é a opção padrão de segunda linha de acordo com as diretrizes da AAN/EFNS e abrange o espectro mais amplo de indicações de dor neuropática.
Ver também: a marca de gabapentina que temos em stock — genérico de gabapentina da Cipla — mesma molécula aprovada pela FDA, gama completa de dosagem desde 300 mg inicial até 600 mg de manutenção.
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